AKEYI.Arte em saudação

 

A exposição AKEYI.Arte em saudação apresenta uma série de obras do artista catarinense Bruno Barbi. Tendo o retrato e a aquarela como suas escolhas, o artista realiza um trabalho que não se limita à relações prioritariamente estéticas da arte, mas também políticas e sociais.

 

A escolha pelo retrato talvez tenha sido realizada por Bruno Barbi por ser este um dos gêneros  artísticos onde a humanidade está em maior evidência, em que expressões faciais traduzem pensamentos, sentimentos e falas não ditas. Em um momento que as discussões sobre políticas imigratórias estão sendo realizadas em diversas regiões do mundo, sobretudo na Europa, os retratos de Bruno Barbi se colocam contemporâneos ao seu tempo. Há algumas semanas atrás o mundo conheceu Aylan Kurdi, um garoto sírio de 3 anos de idade que foi encontrado afogado em uma praia turca. A imagem virou símbolo de luta pelos direitos imigratórios, de refúgio e pela vida. Essa luta não está distante de nós, brasileiros.

 

O número de imigrantes e pedidos de refúgio tem crescido nos últimos anos no Brasil, principalmente de haitianos, que tiveram suas vidas reviradas após o terremoto de 2010 que afetou quase todo o país. Crianças haitianas lutam diariamente no Brasil, um pais onde encontramos muitos problemas com questões de discriminação, preconceito e racismo, mesmo nos dias atuais. Nem sempre a história dessas crianças são ouvidas e seus rostos são conhecidos. Razões pelas quais as obras expostas aqui necessitam serem vistas pelo olhar de reconhecimento e admiração de uma luta onde a força e o sorriso estão lado a lado. É no brincar de muitas crianças que encontramos a poética e a alegria do dia-a-dia. E como em uma brincadeira, temos muito para aprender, trocar e compartilhar.

 

Em diálogo com esses retratos e crianças está dado o intercâmbio de saberes e da difusão da cultura. Dessa forma, AKEYI.Arte em saudação do artista Bruno Barbi apresenta uma série de imagens onde podemos não só refletir sobre essas questões, como também pensar a arte como possibilidade de entendimento do mundo. Navegue pela exposição como em sonhos infantis, voe e encontre sua expansão.

 

Texto de Luciara Ribeiro