Bruno Barbi, homem branco brasileiro, nascido em 13 de maio de 1978, data em que a abolição da escravidão no Brasil completaria 90 anos. O último país das Américas a abolir a escravidão e o país que mais movimentou pessoas escravizadas.

Desde infância sempre fui empático aos efeitos dessa abolição inacabada que não integrou e não deu cidadania ao povo negro, ainda que eu fosse o menino branco de classe média que dormia e comia bem.

Paralelamente a isso a minha história com artes plásticas nasceu também na infância, de forma intuitiva, com desenhos com riqueza de detalhes da figura humana, já carregados de fenótipos negros.

De família materna vinda do maciço do morro da Cruz e família paterna vinda do vale do Itajaí, eu cresci entre o conservadorismo europeu e as mazelas da vida na favela.

Formado em arquitetura, desde 2011 me dedico exclusivamente às artes visuais, procurando dar visibilidade à causa antirracista, tendo a oportunidade através desse trabalho de aprender e entender mais profundamente sobre as interseccionalidades que estruturam a desigualdade brasileira.

Um trabalho que nega o preciosismo dos críticos de arte e das grandes galerias e que toca as pessoas mais simples pelas expressões cores e olhares verdadeiros.

A partir de 2013 de forma independente, passei a pintar rostos negros pelas ruas da cidade, primeiramente no trajeto que eu considero ‘o caminho negro’, que é justamente entre o maciço do morro da Cruz e o centro comercial propriamente dito.

Aliada à minha trajetória artística estou envolvido em várias frentes integradas aos movimentos sociais organizados, como a feira afro artesanal e a movimentação cultural incipiente que resgatou o centro antigo a partir da arte da cultura.

Andem pelas ruas do centro e curtam as belezas do caminho.

 

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